Sinto um vazio imenso. Não quero ouvir, ou falar, ou cantar. Não vejo a luz, estou perdida! Não sinto cheiro, nem gosto, nem vontade. Não sinto fome ou sede. Não quero dormir, nem ficar acordada. Não quero nada. NADA! Até o próximo cigarro acabar...
14 setembro, 2010
Paredes
Vivo rodeada por paredes. Paredes essas que me deram proteção, que me acolheram e me proporcionaram uma enorme felicidade. Experimentei uma emoção tão excepcional, quanto eu jamais pudesse imaginar existir. Essas paredes me presentearam com VIDA! E a minha vida passou a ter um novo sentido. Durante muito tempo, uma luz intensa - como o brilho de várias lâmpadas acesas - me fez cegar, mas isso não me impedia de enxergar o quão extraordinária beleza aquelas paredes retinham. Um dia, porém, algo aconteceu e a luz diminuiu - como se uma das lâmpadas tivesse se apagado -, então eu pude notar uma pequena rachadura num dos lados da parede. No começo fiquei assustada. Logo, porém, voltei meus olhos para a imensa beleza que ali predominava. No entanto, a luz continuou a diminuir e, aos poucos, a fenda foi aumentando. Foi então que encontrei uma porta. Não sabia da existência dessa porta, embora, de longe, já tivesse ouvido falar nela. Fui acometida por uma enorme curiosidade. - O que haveria através da porta? - E se eu me aventurasse a atravessá-la? Envolvida por medos e almejos, decidi conhecer o que havia do outro lado. E assim o fiz!...
No outono
A buzina dos automóveis, a luz entrando pela pequena fresta da janela, o entregador de jornais. Sem dúvida amanhecera. Estava tudo igual, tudo normal. Era só mais um dia. Um dia comum, como outro qualquer. Por que nada mudara? Por que o despertar fora igual ao de qualquer outro dia? Da janela ouvia-se a voz rouca da senhora apressando seu cão. Certamente estava indo buscar o pão e o leite, como de costume. Estava adiantada! Ainda faltava um quarto para às sete. A imagem refletida no espelho estava exatamente igual a da manhã anterior. O rosto parecia cansado, mas ainda era o mesmo do ano anterior - sem nenhuma grande mudança. O quê acontecera no ultimo ano? O emprego era o mesmo. O apartamento parecia menor, mas também era o mesmo. Ah! O carro! Estava com pintura nova. Até parecia outro! - Saco! - como sempre, a toalha estava na cadeira do quarto. Por que toalha de rosto tem que ser tão pequena? Quem lava o rosto pode molhar os braços, o pescoço... O moço da padaria estava simpático. Bem, ele é simpático todos os dias. A moça do caixa nem levantou os olhos, limitou-se apenas a pegar o dinheiro e colocar o troco sobre o balcão. É... ninguém se importa! O telefone tocou, mas parou. A chave ainda estava na porta quando tocou novamente...
– Alô!
– Parabéns! Feliz Aniversário!...
– Alô!
– Parabéns! Feliz Aniversário!...
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